Blindagem de carros no país segue em alta, revela pesquisa da Abrablin

Duas recentes tentativas de assalto no Rio de Janeiro e em São Paulo não terminaram em tragédia porque as vítimas faziam uso de um tipo de proteção que não para de crescer no país: a blindagem automotiva. Os casos ganharam os holofotes por se tratar, em São Paulo, da filha do vice-governador do Estado, e, no Rio, da viúva do humorista Chico Anysio.

Em ambos os casos, ao serem abordadas em um cruzamento, decidiram acelerar o blindado, frustrando o assalto. No caso paulista, os bandidos ainda dispararam tiros que acertaram o vidro e a lataria do veículo blindado.

Assim como as duas vítimas que viraram personagens dos noticiários, é cada vez maior o número de pessoas que, amedrontadas pela incessante violência urbana, buscam na blindagem automotiva maior proteção.

De acordo com o novo levantamento da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), 8.384 veículos foram blindados em 2012, um crescimento de 2,7% na comparação com 2011, quando o país já havia batido o recorde no número de carros que receberam a proteção balística. A pesquisa contou com a participação de 32 blindadoras associadas à entidade e que representam 75% da produção total de veículos blindados no país.

“Mesmo com a instabilidade econômica, o setor seguiu em alta. O fator primordial para isso é a sensação de insegurança. A pesquisa revela, inclusive, que o medo frente à violência urbana não é exclusivo da região Sudeste. Estados do Nordeste, que anos atrás não eram mencionados no levantamento, agora compõem o ranking dos que mais blindam no país”, afirma Christian Conde, presidente da Abrablin.

No ranking dos estados que mais blindam veículos, segundo a pesquisa da entidade, São Paulo é o primeiro, com 72%, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8%. Os outros três estados que compõem o “Top 5” são do Nordeste: Pernambuco (6%), Ceará e Bahia (2% cada). Os 10% restantes do universo blindado estão distribuídos entre Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O levantamento da Abrablin revela também o perfil do usuário de blindagem. O sexo masculino segue predominante (57,5%), mas as mulheres aumentaram sua participação nesse universo – elas representaram, em 2012, 42,5% do setor. Em 2011, elas representavam 35%. “Os dados mostram outra realidade já conhecida. As mulheres têm participado cada ano mais do mercado de trabalho, passam grande parte do dia fora do lar. E, também como se sabe, são vítimas preferenciais da criminalidade. A blindagem surge, então, como opção para que se sintam mais protegidas”, explica Conde.

Os homens que mais recorreram à blindagem automotiva foram os da faixa etária de 30 a 39 anos (23%). Nas mulheres, as que tinham entre 40 e 49 anos foram as que mais buscaram a blindagem (22,8%). Do universo total dos usuários, 79% são executivos/empresários; 10% artistas/cantores; 6% juízes; e 5% políticos.

No ranking dos veículos mais blindados no país em 2012, a pesquisa da Abrablin revela que o campeão no segundo semestre foi o Tiguan, modelo da Volkswagen, seguido pelo Range Rover Evoque, da Land Rover. A Mercedes C-180, o Corolla, da Toyota, e o Jetta, da Volks, completam a lista. No primeiro semestre, o Tiguan e o Evoque apareciam com as posições invertidas, seguidos pelo Jetta, Corolla e o XC-60, da Volvo.

A blindagem mais praticada no mercado segue sendo a de nível III-A, que suporta até tiros de submetralhadoras (pistolas) 9mm e revólveres .44 Magnum. “Há diferentes níveis de blindagem que o Exército, órgão que fiscaliza o setor, autoriza. Mas o III-A é o mais adequado à atual realidade enfrentada nos grandes centros, pois garante proteção contra as maiores ameaças de armas curtas de fogo (revólveres, pistolas e submetralhadoras) em mãos da criminalidade”, afirma Conde. O custo médio para se blindar um veículo nesse nível em 2012 foi de R$ 47.300,00.

Com um número cada vez maior de interessados em blindar um veículo, o presidente da associação que representa o setor deixa um alerta. “O primeiro e mais importante passo nessa busca de maior proteção é a escolha da blindadora que fará o serviço. É preciso checar se ela está devidamente regularizada junto ao Exército, buscar boas referências antes de escolher a empresa, lembrando que a garantia de segurança deve ser primordial nesse processo de seleção. Ela é determinante para se ter a confiança necessária para fugas como as vistas nos casos recentemente noticiados”, diz.

“Somente então se deve analisar o preço como ponto decisivo. Nesse sentido, a associação está à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento”, conclui Conde.

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