Segurança é o mais importante na hora de escolher a blindadora

A expansão do setor de blindagem motivou a entrada de muitos aventureiros no negócio. De forma ilegal e sem qualquer estrutura para executar um serviço de qualidade, transformam oficinas mecânicas mal equipadas e preparadas em “blindadoras”, atentando, inclusive, contra a inteligência do consumidor. Por isso, antes de blindar um carro, é preciso levar em consideração, acima de tudo, a segurança.

Todo material usado na blindagem é controlado pelo Exército Brasileiro. As empresas que atuam com este tipo de produto (mesmo as locadoras de veículos blindados) devem ter o Certificado de Registro (CR) junto ao Exército. “Sem esse documento, elas funcionam irregularmente”, alerta Christian Conde, presidente da ABRABLIN.

Além do CR, as empresas que fabricam produtos balísticos devem submetê-los a testes balísticos aplicados pelo Centro de Avaliação do Exército (CAEx). Após o teste, o Exército emite um Relatório Técnico Experimental (ReTEx) aprovando o material. As fabricantes podem vender os produtos apenas para blindadoras registradas e estas somente podem usar materiais que tenham o ReTEx.

A blindadora ainda precisa de uma autorização específica da Região Militar (RM) onde a empresa está registrada para cada veículo que for blindar, com o intuito de evitar que carros blindados sejam utilizados por pessoas não idôneas.

Caso a RM autorize, ela deve informar ao órgão de trânsito estadual que o veículo foi blindado. E, a não ser que se consiga uma autorização provisória, este só poderá ser retirado da blindadora após ter sido registrado no respectivo departamento de trânsito.

Como proceder antes da blindagem

Para decidir onde blindar seu carro é preciso outros cuidados. Verifique o tempo de atuação da empresa no mercado. Não se preocupe, no início, com o custo do serviço. Exija da blindadora o CR, bem como uma cópia do ReTEx das blindagens (vidros e mantas balísticas) utilizadas.

Vá além do showroom. Visite o local onde a blindagem é feita. Procure saber quanto tempo levará o serviço. Algumas empresas disponibilizam fotos da evolução do processo. Isso pode ser a garantia de que seu carro está realmente recebendo a blindagem oferecida.

Escolha o nível de blindagem de acordo com sua necessidade de segurança (veja tabela nas próximas páginas). As descrições usadas pelas empresas devem indicar a resistência aos projéteis, equivalente à definida pelo Exército. Certifique-se de que a blindagem será realizada nas áreas transparentes e opacas do carro. O Exército proíbe a blindagem parcial. Blindagem parcial é um serviço oferecido por empresas irresponsáveis e inconseqüentes e consiste tão somente na troca dos vidros.

Repita o processo em pelo menos duas empresas e não se deixe levar por fatores subjetivos para a definição. Somente depois dessa análise, pondere preço e tome a decisão.

Documentos necessários

Quem pretende blindar seu carro deve apresentar RG, CPF, comprovante de residência, Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), Certidões Negativas Criminais da Justiça Federal, Estadual e Militar dos últimos cinco anos e Atestado de Antecedentes Criminais, emitido pela Polícia Civil.

Se o carro pertencer a uma empresa, também deve ser apresentado o CNPJ e a Certidão de Antecedentes dos distribuidores da Justiça Federal, Estadual e Militar de cada um dos sócios administradores ou gerentes, das comarcas onde tenham sido domiciliados nos últimos cinco anos. Tudo isso é necessário, a não ser que os proprietários dos veículos a serem blindados já estejam registrados no Exército.

Feita a blindagem, outros documentos são exigidos. Com o carro, o cliente deve receber o Termo de Responsabilidade. Todos os materiais utilizados na blindagem e seus respectivos números de ReTEx devem estar ali discriminados. O Termo de Responsabilidade é a garantia do cliente de que a empresa realmente usou os materiais que fazem com que o carro tenha o nível de resistência balística contratado; é o termo legal pelo qual a blindadora se responsabiliza pelo serviço. Este documento deve ser assinado, preferencialmente, pelo engenheiro responsável da blindadora com o devido registro no CREA.

Para que o carro blindado esteja totalmente regularizado junto aos órgãos de trânsito é necessário submetê-lo a uma inspeção para obtenção do Certificado de Segurança Veicular (CSV). Este Certificado possibilitará a emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), no qual constará obrigatoriamente a menção ‘veículo blindado’, caracterizando a modificação autorizada.